A Dança é uma forma de empoderamento!

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Num momento que se celebra efemérides como o Dia da Mulher ou o dia da luta contra a violência doméstica, faz todo o sentido falar sobre formas de tornar a nossa sociedade mais igual.

Existe muito a fazer em muitos âmbitos para que estes dois dias deixem de fazer sentido existir. No entanto, há pequenos gestos e escolhas que nos podem ajudar!

A Dança é uma forma de empoderamento! Melhora a auto-estima e confiança. Desenvolve recursos que permitem a afirmação pessoal da tua identidade. É um meio de desenvolver vínculos sociais e emocionais baseados no respeito. Capaz de transmitir valores e ideais importantes, que podem mudar mentalidades de gerações inteiras. É um meio para desenvolver uma rede de amigos ampla capaz de te suportar e nunca te deixar isolada. A Dança pode mesmo ser um mecanismo de luta contra a violência de género.

Então, faz todo o sentido partilhar algumas das mulheres que nos inspiram e cujas as suas conquistas nos motivam a seguir os nossos sonhos. Vamos focar-nos apenas em Divas do mundo da dança do passado e da atualidade, que nos marcam pela sua identidade. Elas mudaram a dança!

Isadora Duncan nasceu em 1877 na América e revolucionou a estética da dança mundialmente, inspirando-se nas figuras gregas da antiguidade. Livre, espontânea e natural ela criou as bases da dança moderna, que está na origem da dança contemporânea. Os princípios do helenismo visíveis no culto do corpo, da beleza e da harmonia, desenvolveram algo mais importante que a estética, dando lugar quase à espiritualidade. Esta mulher ousada, exibiu-se muitas vezes quase nua, escondida apenas por alguns véus tal como as estátuas gregas. Ativista politica, ela identificava-se com a revolução russa e a nova união soviética sendo ela própria parte do movimento artístico do regime.

Josephine Baker nasceu em 1906 nos Estados Unidos, mas acabou por se naturalizar francesa. Depois de seduzir e escandalizar os europeus com o Charleston, um ritmo até então desconhecido, ela torna-se musa dos Cubistas e desperta o entusiasmo dos parisienses pelo jazz e pela black music, rompendo com os estereótipos da época. Em suma ela foi artista de rua, dançarina na Broadway, cantora, atriz, líder e ativista. Ela desempenhou um papel importante na resistência ao ocupante após a segunda guerra mundial, na luta contra o racismo e pela emancipação dos negros.

Ginger Rogers nasceu em 1911 com o nome Virginia Katherine McMath, Ginger surge como diminutivo de família e Rogers adota-o do seu padrasto. Bailarina, cantora e atriz, foi galardoada com um óscar pelo filme  Kitty Foyle. Mas é a sua dupla dançando com Fred Astaire em dezenas de filmes que ficará para sempre gravada na memória coletiva. Vê-la dançar continua a ser incrível e inspirador para muitos. Dona de si, ela sempre valorizou a sua própria identidade. Era uma workaholic, trabalhava e praticava incessantemente. Enfrentou o desafio de igualdade de pagamento e tratamento com os estúdios, RKO. Diz no seu livro: “… tive que lutar por meus direitos em cada centímetro do caminho. Não era considerado digno de uma senhora falar de dinheiro, mas quando se é uma senhora que ganha a vida, o assunto torna-se extremamente significativo e vale a pena ser discutido … No meu caso não há dúvida de que a discrepância de tratamento e remuneração deveu-se ao meu género. Quando Fred Astaire fez suas exigências … seus pedidos foram honrados, enquanto os meus foram atribuídos à ganância ou ego. Era difícil ser mulher no ramo do teatro naquela época (e provavelmente ainda é!). Não havia ninguém a quem recorrer para obter ajuda; os agentes eram em sua maioria homens e tratavam-nos da mesma maneira que os chefes do estúdio, os produtores e, em geral, os diretores… A indústria de Hollywood era o mundo dos homens… Quando implorei por ajuda … eles sorriram e deram-me palmadinhas na cabeça, como se fosse uma criança. ” Ela acabou por ser aumentada, mas nunca ao nível dos homens que faziam o mesmo que ela.

Maria Nieves é uma lenda viva do Tango. Nascida em 1934, ela tornou-se par de Juan Carlos Copes com apenas 14 anos de idade e juntos elevaram o Tango a um patamar artístico só comparável na altura, ao feito por Ginger Rogers e Fred Astaire nos filmes americanos. Exportaram a cultura argentina de forma global, produzindo e participando em shows nos mais emblemáticos palcos do mundo. Criaram a profissão de bailarinos de Tango, que milhares seguiram depois. E existe um abismo entre o Tango antes e depois deles. Sugerimos-te que assistas ao fantástico documentário “Un tango más” dirigido por German Kral onde poderás conhecer a sua vida.

Carine Morais é brasileira e acumula junto de Rafael Barros, oito títulos de Campeões mundiais de Salsa, conquistados no World Salsa Open, World Latin Dance Cup, disputado em Miami, Six Degrees Competition e World Salsa Championship em Atlanta. Prova de que independentemente de qual a organização eles são incríveis. A sua formação passou pelo ballet, as danças de salão e formação na carreira de professora. Prepara-se como uma atleta e trata de transmitir todo seu processo às futuras profissionais desta área.

Karina Smirnoff, americana de ascendência russa e grega, é uma bailarina que se celebrizou nas danças latinas profissionais, acumulando notáveis vitórias e é a primeira mulher a fazer a “British Professional Final” com três parceiros diferentes. Quando abandonou a competição e enveredou por programas de tv como o Dancing With The Stars, torna-se viral à escala mundial.

Este ano vamos ter oportunidade de ver o seu ultimo projeto, o filme “Tango Shalom” a estrear brevemente.

Joanna Leunis nasceu na Bélgica e em pequena sofreu uma grave doença que a imobilizou bastante tempo. Paulatinamente a dança foi assumindo um papel preponderante na sua vida, dedicando-se ao ballet, sapateado e danças de Salão. Aos 18 anos, Joanna venceu o Campeonato Mundial Amador Latino, com Slavik Kryklyvyy. Mas é com Malitowski que ela alcança os títulos mais importantes da sua carreira e implementa um estilo inimitável até hoje. As suas voltas são muito peculiares e dignas da tua atenção.

Gaynor Fairweather é um nome incontornável da história da Dança desportiva. Britânica e British Empire Medal, o galardão mais importante da Commonwealth. Ela foi com Donnie Burns 14 vezes campeã do mundo, vencendo sempre as cinco danças. E mudou radicalmente a dança latina profissional com os seus movimentos e estética.

Hanna Karttunen nasceu na Finlândia e fez uma carreira incrível como profissional das danças Latinas. Fez parceria com nomes incontornáveis da história destas danças como Sandro Cavallini, Paul Killick ou Slavik Kryklyvyy.  Marcou este género, com linhas muito amplas e flexíveis e acumulou no seu palmarés títulos muito importantes. Foi também campeã do mundo de Dança livre com Victor Da Silva, apresentando-se como uma artista surpreendente fusionando múltiplas áreas da expressão corporal nas suas performances. O seu corpo é como uma plasticina que se molda de acordo com a imaginação.

Alejandra Mantiñan, é argentina e um nome incontornável da cena tangueira mundial. Com uma vasta carreira, ela fez parte de alguns dos mais importantes companhias do mundo, arrebatando todo o tipo de publico, fazendo capa de revistas e jornais. Foi mesmo eleita por vários anos consecutivos a referencia feminina das bailarinas participantes no campeonato mundial. É uma artista camaleónica que ofereceu ao Tango varias estéticas com as quais ele avançou. Primeiro elétrica e atlética, capaz de mover-se a uma velocidade pouco habitual e com movimentos muito amplos. Noutra etapa da sua carreira, ficou reconhecida pelos seus “pies de ángel”, capazes de uma expressividade isolada nada comum nesta dança. Ao longo dos tempos teve parcerias diferentes, apresentando produtos artísticos sempre distintos, mas onde a sua identidade ficou sempre fortalecida ao ponto de ser um nome que se afirma sozinho numa cultura tradicionalmente marcada pelo papel do homem.

Karen Forcano é argentina e uma das mais famosas bailarinas da atualidade. Conhecida pela sua dança explosiva e atlética, ela foi nove vezes campeã do mundo de Salsa cabaret com Ricardo Veja. Surpreende todas as vezes, retira o folgo a quem a vê mesmo que virtualmente. Nomeada para os Creative Arts Emmy e World Choreography Award, ela também é uma influencer de sucesso com uma impressionante base de fans. Ela é um animal de palco! Em cima dele, é espantosamente linda e poderosa.

Anita Santos Rubin bailarina coreografa, nascida no Brasil e seis vezes campeã do mundo de Salsa com Adrian Rodriguez. Antes disso ela formou-se em Ballet, Contemporâneo e Jazz, ganhou vários prémios internacionais, incluindo uma bolsa no famoso LABAN CENTER” de Londres. Integrou o Ballet Nacional de Zaragoza, o mais conceituado de Espanha, como solista e trabalhou em televisão. As suas linhas corporais, modificaram para sempre a estética da salsa feminina. A fasquia ficou altíssima e de forma global as bailarinas passaram a investir muito mais no seu trabalho técnico de pés, linhas, voltas, etc.

Tamara Livolsi, nasceu na Argentina em 1978, mas foi criada em Porto Rico. Junto com Tito Ortos, levou os estilo de Puerto Rico da Salsa e do Chachacha, aos mais importantes palcos do mundo, criando um estilo elegante e sóbrio. Eles são também hábeis bailarinos de  Jazz, ballet, hip hop  e participaram em filmes como Dirty Dancing, Habana Nights, Yellow e El Cantante. E é organizadora do Congresso de Salsa de Puerto Rico, um dos mais importantes do Mundo.

Pina Bauch, bailarina e famosa coreografa, considerada por muitos a principal figura da dança contemporânea, nasceu na Alemanha em 1940. Ela introduziu o conceito de Dança-teatro, introduziu a visão universal dos bailarinos e culturas de diferentes países. Uma das suas imagens de marca são “rounds à la Pina Bausch” pequenos gestos repetidos numa espécie de assinatura, assim como a fluidez que desenvolve na parte superior do corpo, induzindo grandes movimentos dos braços, a flexibilidade do busto, e jogos recorrentes com os cabelos muitas vezes muito longos de seus dançarinos. 

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